Acordo Mercosul-UE inicia nova etapa de prosperidade e redução de desigualdades, afirmam Lula e Ursula von der Leyen

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Acordo Mercosul-UE foi o centro de uma reunião entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, onde ambos projetaram que a parceria comercial impulsionará prosperidade, empregos e redução de desigualdades para uma população estimada em 720 milhões de habitantes dos dois blocos.
- Acordo Mercosul-UE: quem lidera e qual o alcance
- Por que o acordo Mercosul-UE se tornou prioridade estratégica
- Acordo Mercosul-UE e a agenda de desenvolvimento sustentável
- Como o acordo Mercosul-UE pretende gerar empregos e investimentos
- Compromissos sociais embutidos no acordo Mercosul-UE
- Mercado de 720 milhões de pessoas: potencial de consumo e logística
- Papel das cadeias de valor na transição energética
- Etapas seguintes após a assinatura oficial
- A importância da liderança política na conclusão do acordo Mercosul-UE
- Argumentos de que o comércio não é jogo de soma zero
- Próximos marcos e expectativas imediatas
Acordo Mercosul-UE: quem lidera e qual o alcance
O encontro na sede do Ministério das Relações Exteriores reuniu, na sexta-feira, 16, os dois chefes de governo responsáveis por conduzir a reta final de um processo negocial iniciado há mais de um quarto de século. De um lado, Lula representa o Brasil e, por extensão, o Mercosul. De outro, Ursula von der Leyen fala em nome da União Europeia. Juntos, eles supervisionam a criação de uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, abrangendo economias que somam centenas de bilhões de dólares em Produto Interno Bruto e abrigam quase três quartos de bilhão de pessoas.
Por que o acordo Mercosul-UE se tornou prioridade estratégica
Pelo ponto de vista de ambos os blocos, a abertura comercial amplia mercados e diversifica cadeias produtivas. Para governos sul-americanos, a iniciativa oferece a oportunidade de agregar valor à pauta de exportações, reduzir a dependência de commodities e atrair capital estrangeiro. Já para a União Europeia, o pacto garante acesso a um mercado de consumo em crescimento, reforça parcerias na transição energética e consolida padrões regulatórios que atendem à política ambiental e trabalhista do continente.
Acordo Mercosul-UE e a agenda de desenvolvimento sustentável
Durante a reunião, Lula salientou que liberalização econômica só faz sentido se vier acompanhada de desenvolvimento sustentável. O presidente listou compromissos ambientais, defesa dos direitos indígenas, igualdade de gênero e respeito às normas trabalhistas como pilares que nortearão a implementação. Para Ursula von der Leyen, a convergência desses temas torna o comércio mais previsível e cria ambientes de negócios atrativos, fomentando investimentos em setores verdes e digitais.
Como o acordo Mercosul-UE pretende gerar empregos e investimentos
A assinatura formal da parceria, prevista para sábado, 17, no Paraguai, deve abrir um novo ciclo de oportunidades empresariais. A dimensão do mercado combinado estimula empresas europeias a instalarem unidades produtivas na América do Sul, especialmente em cadeias estratégicas ligadas à descarbonização e à economia digital. O governo brasileiro espera que essa movimentação resulte em fábricas, centros de pesquisa e empregos qualificados, distribuindo renda e conhecimento tecnológico.
Por outro lado, companhias sul-americanas passam a disputar contratos em 27 países europeus com tarifas reduzidas ou zeradas. A expectativa, apresentada pelos interlocutores, é de que produtos industrializados de maior valor agregado ganhem participação, diminuindo a concentração das exportações em soja, milho e carne.
Compromissos sociais embutidos no acordo Mercosul-UE
Entre os pontos enfatizados pelo presidente brasileiro está a garantia de altos padrões de proteção trabalhista. Segundo Lula, comércio e investimento devem resultar em empregos de qualidade, com direitos assegurados. A agenda social se alinha às diretrizes europeias, que condicionam acordos a salvaguardas de bem-estar e respeito ao meio ambiente. Dessa forma, às empresas interessadas será exigido cumprir normas de segurança, salário digno e preservação ambiental.
Mercado de 720 milhões de pessoas: potencial de consumo e logística
A soma populacional de Mercosul e União Europeia chega a aproximadamente 720 milhões de consumidores. Esse contingente oferece escala para lançar novos produtos, ampliar portfólios e justificar investimentos em logística. Portos brasileiros, argentinos e uruguaios tendem a ser modernizados, enquanto empresas europeias planejam rotas eficientes para escoar máquinas, equipamentos e bens de consumo. O aumento do fluxo mercantil deve estimular também serviços de transporte, seguros, tecnologia da informação e financiamento.
Papel das cadeias de valor na transição energética
Um dos focos do acordo Mercosul-UE é fomentar cadeias de valor voltadas à transição energética. A demanda europeia por fontes renováveis pode ser suprida por hidrogênio verde, etanol de segunda geração e minerais críticos extraídos no Cone Sul. Ao mesmo tempo, investimentos em painéis solares, turbinas e baterias circulam em direção ao Mercosul, criando manufaturas e empregos locais. Esse intercâmbio fortalece a meta de neutralidade de carbono defendida em ambos os lados do Atlântico.
Etapas seguintes após a assinatura oficial
Embora a adesão já tenha sido aprovada pela União Europeia na semana anterior ao encontro no Rio de Janeiro, cada país-membro dos dois blocos ainda precisará ratificar o tratado em seus parlamentos. A etapa legislativa será acompanhada de perto por governos e pelo setor privado, que espera rapidez no processo. Segundo Ursula von der Leyen, a efetiva colheita de resultados econômicos ocorrerá quando empresas começarem a sentir um ambiente de regras claras e previsíveis.
A importância da liderança política na conclusão do acordo Mercosul-UE
Negociado desde a década de 1990, o pacto enfrentou vários impasses, desde barreiras tarifárias até preocupações ambientais. Esse histórico reforça a relevância do engajamento político recente, que viabilizou a aprovação europeia. Durante a reunião, a presidente da Comissão Europeia reconheceu a atuação direta de Lula como elemento decisivo para destravar pendências finais. O incentivo político também sinaliza, a agentes econômicos, que a parceria tem respaldo institucional de alto nível.
Argumentos de que o comércio não é jogo de soma zero
Ao abordar a lógica econômica da integração, Ursula von der Leyen afirmou que ganhos mútuos substituem a visão de competição pura. Esse raciocínio sustenta que, ao ampliar exportações e importações, as duas áreas ampliam renda, diversificam produtos oferecidos aos consumidores e aceleram a inovação. Para o Mercosul, a entrada de tecnologias europeias pode aumentar a produtividade, enquanto o bloco europeu assegura fornecimento estável de alimentos e matérias-primas, além de ganhar novos mercados para sua indústria.
Próximos marcos e expectativas imediatas
A assinatura oficial, agendada para sábado, 17, em território paraguaio, servirá de ponto de partida para cronogramas de corte tarifário, implementação de salvaguardas ambientais e formação de comitês conjuntos de monitoramento. Empresários dos dois continentes aguardam a publicação de prazos específicos para redução de alíquotas e reconhecimento mútuo de normas técnicas, etapas que definirão a velocidade com que contratos poderão ser fechados.
Próximo evento relacionado: cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE, prevista para 17 de fevereiro, no Paraguai, marcando o início da fase de ratificação nacional e detalhamento dos cronogramas de implementação.

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