Acordo Mercosul-UE pode adicionar US$ 7 bilhões às exportações brasileiras, projeta ApexBrasil

acordo Mercosul-UE aprovado nesta sexta-feira (9) é apontado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) como capaz de acrescentar aproximadamente US$ 7 bilhões ao valor anual das vendas externas do Brasil.
- Impacto imediato do acordo Mercosul-UE nas exportações
- Setores industriais que mais ganham com o acordo Mercosul-UE
- Diversificação da pauta exportadora brasileira
- Commodities: cronograma gradual de eliminação de tarifas
- Mecanismos de salvaguarda e proteção previstos no tratado
- Dimensão econômica e significado multilateral
- Próximos passos após a aprovação do acordo Mercosul-UE
Impacto imediato do acordo Mercosul-UE nas exportações
O entendimento entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de mais de 25 anos de negociações, é classificado pela ApexBrasil como o maior pacto econômico já firmado pelos dois blocos. A estimativa da agência indica um acréscimo de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras logo após a entrada em vigor, efeito atribuído à eliminação ou redução substancial de tarifas sobre uma ampla gama de produtos.
Segundo a agência, a indústria nacional será o primeiro segmento a sentir o reflexo financeiro do tratado. A retirada imediata de barreiras proporciona condições de competitividade ampliada para manufaturados brasileiros no mercado europeu, tradicionalmente exigente quanto a preço, qualidade e regularidade de fornecimento.
O cálculo divulgado considera o ganho potencial proveniente do acesso aduaneiro facilitado a um mercado combinado de mais de 700 milhões de consumidores, cuja demanda anual soma um Produto Interno Bruto aproximado de US$ 22 trilhões. Esse montante é superado apenas pelo dos Estados Unidos e ultrapassa o da China.
Setores industriais que mais ganham com o acordo Mercosul-UE
No curto prazo, a ApexBrasil identifica benefícios claros para segmentos industriais com maior intensidade tecnológica e de capital. Equipamentos de transporte, máquinas em geral, motores elétricos, geradores de energia, autopeças — notadamente motores de pistão — e aeronaves são listados entre os itens com tarifa zerada de forma imediata.
A análise da agência menciona ainda oportunidades para cadeias produtivas como couro e peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e diversos artigos da indústria química. A exclusão ou a redução drástica de impostos de importação nessas categorias viabiliza preços mais competitivos, melhora margens dos fabricantes brasileiros e estimula investimentos em capacidade produtiva para atender à nova demanda.
Empresas desses ramos podem usufruir de duas vantagens principais: entrada em um mercado de elevado poder aquisitivo e redução de custos logísticos resultante da integração de cadeias de suprimentos entre os blocos. A perspectiva de acesso preferencial tende a encorajar contratos de longo prazo, propiciando estabilidade de receita e planejamento industrial mais eficiente.
Diversificação da pauta exportadora brasileira
Atualmente, pouco mais de um terço das vendas do Brasil à União Europeia corresponde a bens da indústria de transformação. Com as barreiras tarifárias reduzidas, a expectativa é que esse percentual avance significativamente, alterando o perfil do comércio bilateral, historicamente sustentado por commodities.
Para a ApexBrasil, o acordo cria incentivos à incorporação de maior conteúdo tecnológico nos produtos embarcados, já que a demanda europeia favorece itens com valor agregado. A diversificação também reduz a vulnerabilidade do país a flutuações de preços de matérias-primas, tornando a balança comercial menos suscetível a choques externos.
Além da indústria pesada, nichos de produção especializados — como ferramentas de corte, componentes eletrônicos e insumos químicos de alta pureza — passam a deter potencial de expansão, ampliando o leque de atores beneficiados e estimulando o desenvolvimento regional, sobretudo nas áreas industriais fora dos grandes centros.
Commodities: cronograma gradual de eliminação de tarifas
Embora o impacto mais rápido se concentre nos manufaturados, o texto do acordo Mercosul-UE reserva ganhos importantes para o agronegócio e para o setor de biocombustíveis. Produtos como carne de aves, carne bovina e etanol terão tarifas zeradas em um prazo de até 10 anos. Esse período de transição preserva cotas de entrada anual e mecanismos de salvaguarda que permitem monitoramento minucioso do fluxo de importações.
O dispositivo de salvaguarda existe para proteger produtores europeus de eventuais surtos de importação que possam causar desequilíbrios de mercado. Na prática, as autoridades do bloco europeu podem acionar a cláusula sempre que detectarem risco de prejuízo ao setor doméstico, restabelecendo temporariamente barreiras até que o equilíbrio seja recuperado.
Para os exportadores brasileiros, o cronograma progressivo proporciona horizonte de planejamento claro. Empresas do agronegócio podem programar investimentos em aumento de escala e adequação de padrões sanitários, antecipando-se às exigências regulatórias da Europa. No caso do etanol, a eliminação gradual da tarifa reforça a competitividade do combustível renovável brasileiro, reconhecido por sua menor pegada de carbono.
Mecanismos de salvaguarda e proteção previstos no tratado
Além das cotas prescritas para carnes e etanol, o texto contempla instrumentos de defesa comercial que atendem tanto a preocupações europeias quanto a interesses dos países do Mercosul. Entre eles estão:
• Monitoramento de importações: coleta sistemática de dados sobre volume, preços e origem dos produtos, permitindo reações rápidas a distorções de mercado.
• Revisões periódicas: avaliações em intervalos pré-definidos para ajustar condições de acesso, caso mudanças estruturais ocorram em qualquer setor.
• Salvaguarda permanente: cláusula que autoriza reinstalar tarifas ou contingências temporárias quando se comprovarem danos graves à produção local.
Esses dispositivos são considerados essenciais para garantir que a abertura comercial não provoque desequilíbrios, preservando a confiança política necessária para a implantação efetiva do acordo.
Dimensão econômica e significado multilateral
O presidente da ApexBrasil descreve o tratado como um avanço relevante em um período de retrocesso de instituições multilaterais e disputas comerciais intensificadas. O bloco expandido abrange mais de 700 milhões de consumidores, num mercado que representa cerca de US$ 22 trilhões de PIB — segundo maior do planeta, abaixo apenas dos Estados Unidos e acima da China, conforme dados citados pela agência.
Nesse contexto, o pacto Mercosul-União Europeia contrasta com a tendência de acordos restritivos bilaterais e de contenção de fluxos multilaterais. Ao alinhar normas comerciais e reduzir tarifas entre dois grandes agrupamentos regionais, o tratado sinaliza compromisso com a integração econômica, elemento considerado vital para empresas que dependem de cadeias globais de valor.
Próximos passos após a aprovação do acordo Mercosul-UE
Com a aprovação concluída nesta sexta-feira, as atenções se voltam agora para a operacionalização dos dispositivos tarifários e para a implementação dos mecanismos de monitoramento previstos. O início da redução imediata de impostos sobre máquinas, equipamentos e aeronaves representa o primeiro marco concreto que empresas exportadoras deverão acompanhar.
Ao mesmo tempo, setores de commodities iniciam o período preparatório rumo à eliminação total de tarifas em até uma década, adequando capacidade produtiva e certificações às exigências sanitárias europeias. Esse cronograma de até 10 anos serve como referência para novos investimentos, certificações fitossanitárias e estratégias logísticas de longo prazo.
A ApexBrasil permanece responsável por monitorar resultados, divulgar oportunidades e apoiar empresários na adaptação às novas regras comerciais entre os dois blocos.

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