Acordo entre Mercosul e União Europeia é aprovado e Lula destaca vitória do diálogo

Acordo entre Mercosul e União Europeia é aprovado e Lula destaca vitória do diálogo

O acordo entre Mercosul e União Europeia recebeu sinal verde dos Estados-membros europeus nesta sexta-feira, marcando o encerramento de 25 anos de negociação e motivando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a classificar o resultado como uma conquista do diálogo internacional. A confirmação do aval foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e abre caminho para a assinatura formal do tratado, que envolve um mercado combinado de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto somado de US$ 22,4 trilhões.

Índice

Como foi confirmada a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia

A deliberação europeia ocorreu na manhã de sexta-feira e foi divulgada no início da tarde pelo executivo do bloco. Segundo a Comissão Europeia, a proposta recebeu apoio “por ampla maioria” dos governos nacionais, superando a etapa interna mais complexa no âmbito da União. Com esse respaldo, a presidente da Comissão foi autorizada a avançar para a assinatura definitiva, primeiro passo para que o tratado passe a ser analisado pelos Parlamentos dos quatro países sul-americanos que compõem o Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Do lado europeu, o procedimento variou conforme as regras de cada país, mas todos os votos foram computados no Conselho da União Europeia, instância onde os governos nacionais reúnem-se para decidir sobre temas de comércio exterior. Ao final, o resultado habilitou Ursula von der Leyen a agendar viagem ao Paraguai para firmar o texto ao lado dos representantes do Mercosul.

A participação de Lula nas negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia

Desde que assumiu o mandato em janeiro de 2023, Luiz Inácio Lula da Silva colocou o acordo entre Mercosul e União Europeia no topo da agenda externa brasileira. Durante o segundo semestre de 2025, período em que o Brasil exerceu a presidência pro-tempore do Mercosul, o chefe do Executivo participou de rodadas de diálogo destinadas a resolver pendências sobre critérios ambientais, normas sanitárias e condições de acesso a mercados.

Embora o entendimento definitivo não tenha sido fechado naquele semestre, Lula manteve a interlocução direta com os europeus para evitar que o projeto fosse arquivado. Ao comentar a aprovação desta sexta-feira, ele mencionou o papel da “negociação” e da “integração” como eixos centrais do resultado alcançado. Para o presidente, o tratado oferece ganhos recíprocos e serve de sinalização de confiança no comércio internacional.

O que o acordo entre Mercosul e União Europeia representa para o comércio internacional

Em termos de abrangência geográfica e econômica, o acordo entre Mercosul e União Europeia está entre os maiores pactos de livre-comércio do planeta. Os dois blocos somam 718 milhões de habitantes distribuídos em 27 países europeus e quatro sul-americanos. A soma dos Produtos Internos Brutos atinge US$ 22,4 trilhões, volume que corresponde a parcela significativa da riqueza mundial.

Do ponto de vista comercial, a aprovação europeia sinaliza a disposição de reduzir barreiras tarifárias, padronizar regras técnicas e facilitar o trânsito de mercadorias e serviços. O texto também contempla disposições sobre compras governamentais, propriedade intelectual e mecanismos de solução de controvérsias. Embora cada item ainda precise ser validado internamente, a estrutura geral cria um quadro jurídico que pode ampliar as trocas já existentes entre os blocos.

O governo brasileiro entende que o tratado funcionará como vitrine para produtos agroindustriais e manufaturados do Mercosul, enquanto empresas europeias enxergam oportunidades no mercado de bens industriais, tecnologia e serviços. A convergência de interesses, reforçada pelo compromisso em questões ambientais, foi decisiva para romper o impasse de décadas.

Dimensão econômica e populacional dos blocos envolvidos

Além da extensão territorial, a magnitude demográfica e financeira dos parceiros evidencia o peso do entendimento recém-alcançado. A União Europeia reúne cerca de 448 milhões de habitantes, enquanto o Mercosul agrega aproximadamente 270 milhões. Juntos, esses mercados equivalem a mais de 9% da população global.

No que se refere ao Produto Interno Bruto, os 27 membros da União Europeia respondem por cerca de US$ 18,4 trilhões, conforme dados consolidados mais recentes. Somados aos US$ 4 trilhões computados em 2025 pelos quatro sócios plenos do Mercosul, o valor totaliza os US$ 22,4 trilhões citados pelo governo brasileiro. A aliança, portanto, potencializa cadeias de suprimentos, investimentos diretos e integração produtiva em setores diversificados.

Entenda o multilateralismo citado por Lula no contexto do acordo entre Mercosul e União Europeia

Ao celebrar o resultado, Lula descreveu a aprovação como um “dia histórico para o multilateralismo”. O termo refere-se à prática de conduzir relações internacionais por meio de múltiplos países ou blocos, buscando objetivos comuns. É, portanto, distinto do unilateralismo, em que um Estado toma decisões isoladamente, e do bilateralismo, restrito a duas partes. No caso em discussão, quatro países sul-americanos negociaram coletivamente com 27 nações europeias, exemplificando a lógica multilateral.

Para diplomatas, acordos desse tipo reforçam a governança global, pois estimulam convergência de regras, oferecem previsibilidade aos investidores e reduzem assimetrias entre legislações. O processo que levou à aprovação europeia envolveu consultas técnicas, revisões jurídicas e diálogos políticos que se estenderam por um quarto de século, evidenciando a complexidade de um pacto que precisa equilibrar interesses agrícolas, industriais, ambientais e sociais.

Próximos passos: ratificação e processo parlamentar nos dois blocos

Concluída a etapa de aprovação pelos governos da União Europeia, o cronograma prevê que Ursula von der Leyen viaje ao Paraguai na próxima semana para assinar o documento com os chefes de Estado do Mercosul. O Paraguai, que assumiu a presidência rotativa do bloco em dezembro de 2025, deverá sediar a cerimônia.

Após a assinatura, cada país do Mercosul submeterá o tratado aos seus respectivos parlamentos nacionais. O mesmo vale para as nações europeias, que precisarão ratificar o texto conforme seus procedimentos internos. A especificidade do acordo estabelece que a entrada em vigor ocorrerá de maneira individual: basta que um país de cada bloco conclua o trâmite para que as disposições passem a valer bilateralmente entre esses dois participantes. Em outras palavras, Brasil, Argentina, Paraguai ou Uruguai poderão começar a aplicar as novas regras com qualquer Estado europeu tão logo ambos os parlamentos tenham concluído a análise.

No plano prático, analistas esperam que as discussões legislativas concentrem-se em capítulos sobre condições ambientais, salvaguardas para setores sensíveis e prazos de desgravação tarifária. Embora detalhes específicos variem, a previsão é de que os debates prolonguem-se ao longo de 2026.

Relevância do diálogo e da cooperação na consolidação do tratado

O próprio percurso histórico do acordo entre Mercosul e União Europeia ilustra a importância da abordagem cooperativa. Desde 1999, técnicos dos dois lados tentaram superar divergências que passaram por subsídios agrícolas, exigências fitossanitárias e compromissos ambientais. A mobilização política de 2023 a 2025, com visitas de alto nível e propostas complementares, serviu para destravar impasses específicos, culminando na conclusão anunciada hoje.

Para as chancelarias envolvidas, o êxito do processo demonstra que a combinação de negociações técnicas contínuas e empenho político de chefes de Estado pode viabilizar avanços em pautas de grande escala. Os ministérios de Relações Exteriores dos quatro países sul-americanos já preparam relatórios detalhados a serem enviados aos congressistas, descritos como essenciais para acelerar a tramitação.

A expectativa imediata agora se volta para a viagem de Ursula von der Leyen ao Paraguai, prevista para a próxima semana, quando deverá ocorrer a assinatura formal do tratado com os membros do Mercosul.

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