SP-Arte 2024 destaca 50 anos de Nara Roesler e 25 anos da Fortes D’Aloia & Gabriel em meio à resiliência do mercado brasileiro
Em abril, a SP-Arte realiza a sua 22ª edição no pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, e transforma a feira num palco de celebração para três trajetórias decisivas do cenário artístico brasileiro: os 50 anos de atuação da galerista Nara Roesler, os 25 anos da Fortes D’Aloia & Gabriel e a primeira década do centro cultural Auroras. Ao fazê-lo, o evento contrasta com um contexto internacional marcado pelo fechamento de galerias importantes em mercados centrais como Los Angeles e Londres, sinalizando a resiliência do setor no Brasil.
- SP-Arte reforça marcos históricos em meio a um mercado desafiador
- SP-Arte homenageia os 50 anos da galerista Nara Roesler
- Fortes D’Aloia & Gabriel celebra 25 anos de expansão contínua na SP-Arte
- Centro cultural Auroras: dez anos de pesquisa independente entram no radar da SP-Arte
- Presença internacional confere projeção adicional à SP-Arte
- Resiliência do mercado brasileiro diante de fechamentos globais
SP-Arte reforça marcos históricos em meio a um mercado desafiador
Enquanto a Blum encerra as atividades em Los Angeles e a Stephen Friedman interrompe operações em Londres, o noticiário global evidencia tensões que vêm abalando a cadeia de arte contemporânea. Nesse panorama, a SP-Arte surge como vitrine de vitalidade: ao dedicar espaço para homenagear instituições brasileiras que não apenas resistem, mas também ampliam suas frentes de trabalho, a feira expõe um movimento inverso ao cenário mundial.
O recorte histórico dos aniversários apresentados pela organização instala no centro do debate a capacidade de adaptação de galerias brasileiras. A iniciativa cria paralelos entre diferentes momentos do mercado, desde a década de 1970 — quando Nara Roesler começou a atuar como marchande independente no Recife — até as expansões realizadas recentemente pela Fortes D’Aloia & Gabriel, que inaugurou novo endereço nos Jardins, em São Paulo. Essa cronologia ajuda a dimensionar como o percurso de cada entidade acompanha transformações econômicas, tecnológicas e culturais atravessadas pelo país.
SP-Arte homenageia os 50 anos da galerista Nara Roesler
A trajetória de Nara Roesler teve início como uma operação individual na década de 1970, no Recife, e evoluiu para um dos maiores conglomerados brasileiros do setor de artes visuais. Atualmente, o grupo administra espaços em São Paulo, Rio de Janeiro e no bairro do Chelsea, em Nova York, região que concentra algumas das principais galerias do planeta.
Para marcar o cinquentenário, a SP-Arte agendou uma conversa entre a galerista e o professor e crítico Miguel Chaia. Esse encontro coloca em foco os diferentes estágios de profissionalização pelos quais a empresa passou: da representação de artistas emergentes à presença em circuitos de feiras internacionais, passando pela abertura do polo nova-iorquino que posicionou o portfólio da casa em diálogo direto com colecionadores globais.
Ao traçar o percurso de cinco décadas, o debate promete revisitar os métodos de gerenciamento de acervo, as estratégias de implantação em múltiplas cidades e a relevância de articulações institucionais — elementos que explicam a longevidade de Nara Roesler num meio reconhecidamente volátil.
Fortes D’Aloia & Gabriel celebra 25 anos de expansão contínua na SP-Arte
Liderada por Márcia Fortes e hoje estruturada em torno de um quadro de seis sócios, a Fortes D’Aloia & Gabriel consolida 25 anos de atividade em 2024. A galeria acaba de ampliar seus domínios na capital paulista com uma sede nos Jardins, que se soma ao galpão de ares industriais instalado na Barra Funda. No Rio de Janeiro, mantém a Carpintaria, espaço satélite que diversificou a atuação da empresa entre diferentes praças.
O elenco da galeria reúne nomes de alto impacto na arte contemporânea, como Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Robert Mapplethorpe e Wanda Pimentel. Durante a feira, Márcia Fortes conduz uma conversa com o artista Ernesto Neto, o crítico Ivo Mesquita e a artista Tadáskía. O formato de mesa redonda destaca a natureza colaborativa do trabalho da galeria e sua ênfase em diálogos curatoriais que extrapolam a relação tradicional de representação comercial.
Esse quarto de século mostra uma organização que cresceu por meio de modelos múltiplos de exposição: espaços convencionais, galpões industriais e extensões geográficas que conectam São Paulo ao Rio. A programação na SP-Arte funciona como síntese desses desdobramentos, oferecendo ao público referências diretas sobre como a galeria potencializa a carreira de seu elenco e como se posiciona estrategicamente na cena internacional.
Centro cultural Auroras: dez anos de pesquisa independente entram no radar da SP-Arte
Fundado por Ricardo Ortiz Kugelmas no bairro do Morumbi, o Auroras comemora uma década de atividade. Diferentemente das galerias comerciais, o espaço opera como centro cultural dedicado a projetos de pesquisa curatorial, residências artísticas e mostras de pequeno porte. Para a edição deste ano, ele se associa ao Solar do Abacaxis, organização do Rio de Janeiro, e apresenta na feira uma mostra do artista Luiz Paulino, sobrevivente do massacre do Carandiru.
O convite ao Auroras reforça a abrangência da feira, que vai além do circuito estritamente mercadológico ao reconhecer práticas voltadas à investigação artística. Ao exibir o trabalho de Luiz Paulino, a parceria sublinha a relevância de narrativas biográficas de forte dimensão social e histórica, alinhando-se a uma tendência de feiras que valorizam conteúdo crítico e memória coletiva.
Presença internacional confere projeção adicional à SP-Arte
Além dos marcos comemorativos, a feira receberá profissionais de instituições de grande visibilidade mundial. Entre os nomes confirmados estão Brinda Kumar, curadora associada do Metropolitan Museum of Art, em Nova York; Mari Carmen Ramírez, responsável por arte latino-americana no Museum of Fine Arts de Houston; Will Palley, integrante do conselho do Guggenheim, em Nova York; e Jennifer Inacio, curadora do Pérez Art Museum de Miami.
A circulação dessas figuras estratégicas reforça a posição da SP-Arte como ponto de convergência para colecionadores, curadores e pesquisadores interessados em produções latino-americanas. A presença delas também tende a ampliar oportunidades de inserção de artistas brasileiros em mostras internacionais e a criar pontes institucionais capazes de sustentar novas colaborações.
Resiliência do mercado brasileiro diante de fechamentos globais
Os anúncios de encerramento de galerias como Blum, em Los Angeles, e Stephen Friedman, em Londres, expuseram recentemente a fragilidade de praças tidas como maduras. Em contraposição, os três aniversários comemorados durante a feira delineiam um ambiente brasileiro que resiste a crises recorrentes e encontra brechas para expansão física e simbólica.
O histórico de Nara Roesler evidencia a migração de um empreendimento regional para uma rede com sede em Chelsea, enquanto o percurso da Fortes D’Aloia & Gabriel revela a capacidade de adaptar modelos arquitetônicos a distintos públicos, de galpões industriais a casas em bairros tradicionais. Já o Auroras, com estrutura enxuta, demonstra a viabilidade de projetos experimentais centrados em pesquisa, mesmo fora do eixo comercial.
Esse conjunto de estratégias diferentes, apresentados na SP-Arte, contribui para explicar por que o Brasil exibe sinais de robustez em meio a um cenário global de retração. Num país marcado por instabilidades econômicas, o êxito dessas instituições sugere que a diversificação de formatos, a construção de redes internacionais e o investimento contínuo em conteúdo crítico funcionam como pilares para a sustentação do mercado.
A 22ª edição da feira está programada para abril, no pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, onde a SP-Arte reunirá homenagens, debates e exposições que sublinham esse momento de força relativa. Os visitantes poderão acompanhar as conversas públicas com Nara Roesler, Márcia Fortes, Ernesto Neto, Ivo Mesquita, Tadáskía e outros participantes, além de conferir a mostra de Luiz Paulino organizada pelo Auroras em parceria com o Solar do Abacaxis.

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