Rádio MEC lança “De quem é a música?” e revela autores pouco lembrados do cancioneiro brasileiro

Rádio MEC” é a expressão que marca a chegada de mais uma produção original da emissora pública: a série “De quem é a música?”, criada pelo jornalista e escritor Ruy Castro em parceria com Heloisa Seixas e Julia Romeu. O programa começa a ser transmitido no domingo, 15 de março, às 22 h, com cinco episódios de uma hora que investigam sucessos conhecidos do público, mas cujos autores permanecem, em grande parte, fora do circuito de celebridades musicais.

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Rádio MEC inaugura série inédita sobre autores ocultos da MPB

A nova atração parte de uma constatação simples: muitas canções populares atravessam décadas nas playlists brasileiras, mas o nome de quem as compôs raramente é lembrado. Para preencher essa lacuna, a Rádio MEC entrega ao ouvinte um formato em que repertório e narrativa se complementam. Cada edição enfoca um compositor diferente, recupera sua trajetória artística e associa, obra a obra, a sonoridade conhecida às identidades por trás da criação. Ao todo, cinco artistas formam o núcleo desta primeira temporada: o multimídia Haroldo Barbosa, o militar Luiz Antonio, o cronista Antonio Maria e os pianistas Alcyr Pires Vermelho e Newton Mendonça.

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De quem é a música?: formato, duração e estreia na Rádio MEC

“De quem é a música?” segue a estrutura histórica que Ruy Castro já consolidou em séries anteriores: blocos temáticos intercalam gravações originais, comentários contextuais e dados biográficos. Cada episódio contém sessenta minutos de conteúdo e estreia semanalmente, sempre no mesmo horário noturno. O prefixo musical escolhido para a abertura traz uma versão reduzida de “Samba de Orfeu”, composição de Antonio Maria com Luiz Bonfá, reforçando a conexão entre o contexto do samba-canção e a proposta de resgate autoral da produção.

Na estreia dedicada a Haroldo Barbosa, o programa apresenta dezesseis faixas interpretadas por vozes e grupos emblemáticos, entre eles Os Cariocas, Nora Ney, Miltinho, Elizeth Cardoso, Elza Soares, João Gilberto e João Donato. O repertório inicial inclui títulos como “Nossos Momentos”, “Meu Nome é Ninguém”, “Adeus, América”, “Bar da Noite”, “De Conversa em Conversa” e “Tango Valentino”, exemplificando a versatilidade do letrista no trânsito entre bossa nova e balanço.

Perfis dos compositores destacados pela Rádio MEC

O recorte curatorial criado por Ruy Castro reúne profissionais que, apesar de terem contribuído com clássicos, mantiveram-se em relativa sombra no imaginário popular.

Haroldo Barbosa — Atuou como letrista, radialista e roteirista, com obra interpretada por protagonistas da era de ouro da MPB. Sua produção abrange marchinhas carnavalescas, sambas urbanos e peças de bossa nova.

Luiz Antonio — Militar de carreira, destacou-se como compositor de marchinhas como “Sassaricando” e sambas de cunho social, a exemplo de “Lata d’água” e “Sapato de Pobre”.

Antonio Maria — Conhecido pelo trabalho de cronista jornalístico, assinou canções que se tornaram standards, caso de “Manhã de Carnaval”, “Se Eu Morresse Amanhã” e “Ninguém Me Ama”.

Alcyr Pires Vermelho — Pianista versado em temas românticos e sambas, compôs “Tic-tac do Meu Coração”, “Canta Brasil”, “Dama das Camélias” e “Sandália de Prata”.

Newton Mendonça — Parceiro de Tom Jobim, colaborou em faixas decisivas para a bossa nova como “Desafinado”, “Samba de Uma Nota Só”, “Caminhos Cruzados”, “Discussão” e “Meditação”.

Repertório selecionado por Ruy Castro para a Rádio MEC

No percurso de cinco horas ao longo da temporada, o ouvinte encontra marchinhas, sambas-canção, boleros e bossas que atravessaram rádios, bares e salões sem perder relevância. A curadoria se apoia na exibição integral das gravações originais, característica presente em todas as séries que o trio Castro-Seixas-Romeu assina para a Rádio MEC. Depois da abertura com “Samba de Orfeu”, a sequência de episódios expande a cronologia musical brasileira, situando cada obra em seu contexto de criação — sempre por meio das próprias músicas e sem comentários externos que possam induzir opinião, mantendo o caráter documental.

Entre os destaques, surgem a marchinha “Sassaricando”, símbolo de carnavais passados; “Lata d’água” e “Sapato de Pobre”, que evidenciam preocupações sociais; além de sambas bem-humorados e baladas melancólicas, confirmando a diversidade da autoria nacional escondida sob assinaturas pouco conhecidas.

Onde ouvir De quem é a música? na programação da Rádio MEC

A disponibilização do conteúdo reflete o modelo multiplataforma adotado pela emissora. A audiência pode acompanhar o programa pelo dial convencional, pelo aplicativo Rádios EBC e via streaming no site oficial. Cada uma das cinco edições fica arquivada para acesso posterior, permitindo que pesquisadores, estudantes de música e ouvintes casuais revisitem as gravações sempre que desejarem. Além disso, como tradição dos trabalhos conduzidos por Ruy Castro na Rádio MEC, a íntegra da faixa-tema — no caso, “Samba de Orfeu” com a orquestra de Paul Desmond — é transmitida ao fim da temporada.

Trajetória recente de Ruy Castro na grade da Rádio MEC

O lançamento de “De quem é a música?” amplia um catálogo de séries que Ruy Castro levou ao ar nos últimos anos. Em 2025, ele apresentou “Samba-jazz”, exposição cronológica sobre o gênero de fusão brasileiro. No mês seguinte, coordenou “A Música do Carnaval”, que recuperou histórias e bastidores de hits carnavalescos. Abril foi dedicado a “Ao Som dos Boleros e Tangos”, enquanto maio trouxe “Orlando Silva, o Cantor das Multidões”, analisando a carreira do intérprete em sambas, foxes e valsas.

Em agosto, a emissora exibiu “Tom Jobim, o Ouvidor do Brasil”, inspirada no livro que garantiu ao jornalista o Prêmio Jabuti de 2025. Seguiram-se, em outubro, duas séries de crônicas curtas, “A Escrita Falada” e “Contos Mínimos”, além da produção “A Música do Cinema”, que mapeou trilhas sonoras de grandes películas de Hollywood, do cinema noir e de obras brasileiras e europeias.

Ruy Castro: do jornalismo impresso ao estúdio de rádio

Com início de carreira em 1967, Ruy Castro passou por redações cariocas e paulistas antes de migrar, em 1988, para a literatura de não-ficção. Seu livro de estreia, “Chega de Saudade”, publicado em 1990, consolidou um detalhado panorama da bossa nova. Desde então, lançou biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, além de títulos sobre samba-canção, o Rio de Janeiro dos anos 1920 e produções cinematográficas. Reconhecimento não faltou: em 2021, recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras e, no ano posterior, foi eleito para a cadeira 13 da instituição, seguindo ativo como articulista.

A estreia de “De quem é a música?” no domingo, 15 de março, às 22 h, marca o próximo encontro do público com a linha editorial da Rádio MEC, dedicada a recuperar memórias sonoras e reforçar a autoria por trás de canções que há muito tempo habitam o cotidiano dos brasileiros.

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