5 tendências da ciência em 2026 que devem redefinir a inteligência artificial, a exploração espacial e a pesquisa da Terra

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tendências da ciência em 2026 apontam para um ano marcado por avanços na inteligência artificial, missões tripuladas ao redor da Lua, novos estudos sobre Marte, investigações de exoplanetas e exploração inédita do manto terrestre. A revista Nature elencou cinco movimentos centrais que, juntos, delineiam o panorama científico para o próximo ciclo anual.
- Tendências da ciência em 2026: inteligência artificial entra em fase de especialização
- Tendências da ciência em 2026: Artemis II inaugura nova fase da presença humana na Lua
- Tendências da ciência em 2026: China intensifica plano de chegar ao polo sul lunar
- Tendências da ciência em 2026: sondas do Japão e da Europa ampliam o olhar para Marte e exoplanetas
- Perfuração oceânica chinesa inaugura análise direta do manto terrestre
- Políticas científicas dos EUA permanecem em debate
Tendências da ciência em 2026: inteligência artificial entra em fase de especialização
O primeiro grande eixo trata do uso cada vez mais intenso de ferramentas de inteligência artificial no trabalho científico. Segundo a publicação, 2025 foi palco da adoção ampla de agentes de IA integrados a grandes modelos de linguagem. Esses sistemas, embora eficazes, demonstraram gargalos evidentes: alto custo de treinamento e necessidade de bases de dados massivas. O ano de 2026 chega, portanto, com a expectativa de soluções voltadas à eficiência.
A principal aposta recai sobre modelos de IA de menor escala e altamente especializados. Essa estratégia reduz a demanda de dados, diminui os gastos computacionais e permite que pesquisadores configurem algoritmos focados em tarefas específicas. Na prática, o movimento deve ampliar o acesso a laboratórios de menor porte, que não dispõem dos recursos financeiros para treinar modelos gigantescos. Com ferramentas mais enxutas, espera-se uma democratização do uso de IA na coleta, interpretação e cruzamento de resultados experimentais.
Além da economia de recursos, a especialização facilita o controle de qualidade dos dados inseridos nos sistemas. Equipes de pesquisa poderão alimentar modelos voltados a áreas restritas — por exemplo, genômica ou climatologia — limitando vieses indesejados. Dessa forma, o ciclo de descobertas pode ganhar agilidade, uma vez que a análise de grandes volumes de informações deixa de ser um obstáculo logístico.
Tendências da ciência em 2026: Artemis II inaugura nova fase da presença humana na Lua
O segundo destaque das tendências da ciência em 2026 envolve o retorno de astronautas às proximidades da Lua. A missão norte-americana Artemis II, programada para ocorrer durante o ano, enviará quatro tripulantes a bordo da espaçonave Orion em um voo de dez dias ao redor do satélite natural. O objetivo principal é testar sistemas de navegação, suporte à vida e comunicação em condições reais, passo considerado essencial antes de pousos subsequentes.
Ao circundar a Lua, a tripulação coletará dados sobre radiação, temperatura e desempenho do hardware em ambiente lunar. Tais informações servirão de base para a Artemis III, planejada para 2027, cujo propósito é realizar o primeiro pouso humano na superfície desde 1972. Assim, 2026 cumpre a função de ponte tecnológica e operacional, preparando a infraestrutura necessária para missões mais ambiciosas.
A relevância da Artemis II não reside apenas no aspecto histórico. Do ponto de vista logístico, observar como sistemas integrados respondem a um voo prolongado fora da órbita terrestre viabiliza ajustes nos protocolos de segurança. Cada dado obtido durante os dez dias em órbita lunar alimentará parâmetros de projeto, treinamento e protocolos médicos que irão sustentar futuras estadias humanas de longa duração.
Tendências da ciência em 2026: China intensifica plano de chegar ao polo sul lunar
Paralelamente aos esforços dos Estados Unidos, a China consolida sua própria vertente de exploração. A missão Chang’e-7, prevista para o próximo ano, tem como destino o polo sul da Lua — região de especial interesse devido à possível presença de água congelada em crateras permanentemente sombreadas. A agência chinesa objetiva não apenas pousar instrumentos, mas realizar estudos detalhados da superfície, fator que poderia sustentar bases de pesquisa no futuro.
O país delineou uma sequência de metas: executar a Chang’e-7 em 2026 e, até 2030, enviar o primeiro cidadão chinês à superfície lunar. Ao focar no polo sul, a nação asiática busca informação estratégica sobre recursos naturais que podem viabilizar missões prolongadas. O acúmulo de dados geológicos e a caracterização das condições ambientais são elementos fundamentais para definir rotas de abastecimento, requisitos de energia e planejamento de habitats.
Além do valor científico, a empreitada reforça a competição internacional na exploração lunar. Ao mesmo tempo em que colaborações multilaterais surgem em outras frentes, a corrida para estabelecer presença duradoura no satélite natural intensifica a busca por tecnologia autônoma e por sistemas de pouso de alta precisão.
Tendências da ciência em 2026: sondas do Japão e da Europa ampliam o olhar para Marte e exoplanetas
No domínio da pesquisa planetária, surgem duas missões complementares. A primeira é a Martian Moons eXploration (MMX), lançada pelo Japão, cuja meta é visitar as duas luas de Marte e trazer amostras físicas à Terra. O processo envolve pouso, coleta de material e retorno, o que exigirá controle rigoroso de trajetória e preservação das amostras. O estudo desses fragmentos promete revelar informações sobre a origem dos satélites marcianos e, por extensão, sobre a evolução do próprio planeta vermelho.
Já a Agência Espacial Europeia planeja introduzir, no fim de 2026, o satélite PLATO. Equipado com 26 câmeras, o observatório buscará planetas que possuam temperaturas compatíveis com a presença de água líquida. A escolha por múltiplos sensores amplia o campo de visão e melhora a sensibilidade para detectar variações mínimas no brilho de estrelas, sinal de possíveis trânsitos planetários.
Em conjunto, MMX e PLATO representam a diversificação dos objetivos científicos: enquanto uma missão procura pistas sobre a formação e a composição de corpos do Sistema Solar, a outra dirige o olhar para além, em busca de mundos que possam abrigar condições semelhantes às da Terra. Os dados coletados, analisados com as ferramentas de IA especializadas mencionadas anteriormente, tendem a acelerar a compreensão dos mecanismos que tornam um planeta potencialmente habitável.
Perfuração oceânica chinesa inaugura análise direta do manto terrestre
Em 2026, a pesquisa não estará limitada ao espaço sideral. O navio de perfuração Meng Xiang, desenvolvido pela China, iniciará sua primeira expedição científica rumo a profundidades de 11 quilômetros na crosta oceânica. A meta é coletar amostras até o manto da Terra, zona ainda pouco explorada devido à alta pressão e temperatura.
O projeto pode esclarecer dúvidas sobre a formação do assoalho oceânico, a dinâmica das placas tectônicas e a origem de atividades sísmicas. Ao perfurar camadas tão profundas, geólogos esperam obter registros cronológicos de processos geológicos, contribuindo para modelos que descrevem a evolução da crosta. Os resultados também devem apoiar a avaliação de recursos minerais e a compreensão do balanço térmico do planeta.
Para atingir tais objetivos, a missão requer perfuratrizes capazes de operar sob condições extremas e sistemas de monitoramento que garantam a integridade das amostras. A operação, por sua complexidade, representa um marco na engenharia naval e na geociência, posicionando 2026 como ponto de partida para investigações subterrâneas de grande escala.
Políticas científicas dos EUA permanecem em debate
A última tendência salientada pela Nature refere-se ao ambiente político estadunidense. Durante o primeiro ano de mandato de Donald Trump, registraram-se cortes de financiamento em pesquisa, suspensão de recomendações de imunização e estímulo ao uso de medicamentos sem respaldo científico. Também foram impostas restrições imigratórias que afetaram a mobilidade de estudantes e pesquisadores internacionais.
A revista projeta que essa linha de atuação seguirá em 2026, mantendo em discussão temas como alocação de verbas federais, autonomia das agências de saúde pública e liberdade acadêmica. Para a comunidade científica, o cenário reforça a necessidade de monitorar como decisões políticas influenciam cronogramas de projetos, cooperação internacional e formação de novos profissionais.
Em síntese, as tendências da ciência em 2026 abarcam avanços tecnológicos decisivos, missões espaciais estratégicas, exploração subaquática inédita e um quadro político que pode afetar a pesquisa global. O próximo evento a acompanhar é o lançamento da Artemis II, agendado para o decorrer do ano, que inaugura a etapa operacional dessas transformações.

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